A saga da Loira pelo amor continua apesar da ausência deste blog.  E depois de um banho de terapias melhor que banho de loja, eu decidi começar a narrar algumas histórias que me trouxeram preciosas lições – algumas tragicômicas, outras um tanto comuns, do tipo que você já deve ter vivenciado.  Talvez elas sirvam de avisos para você ou apenas como o conforto de um chá quente em um dia frio – sempre é gostoso saber que não estamos sozinhos e que as histórias se repetem com personagens diferentes.

Garota conhece garoto via Instagram.  Semelhança de signo, de gostos, de gentilezas.  Os dois moram em cidades distantes mas demonstram interesse em se conhecer.  Em um fim de semana, Garota acompanhada de uma mochila e expectativas pega um ônibus e encara uma viagem de 3h30 para conhecê-lo.

Ela se perde, desce na rodoviária errada, gasta mais alguns reais para chegar na cidade certa. Os 30 minutos que ficou esperando no frio para garoto ir buscá-la, apesar dele saber com antecedência do horário de sua chegada, já mostravam que as coisas não sairiam da maneira que ela esperava.

No carro, vem garoto e um amigo. Na casa, mais duas pessoas a aguardam e a recepção não é das melhores – esfirras frias, netflix com um filme dublado e garoto jogado do outro lado do sofá, interagindo com amigos como se ela simplesmente não estivesse ali.

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A noite foi uma tentativa frustrada de carinhos e abraços que em nada resultaram, até o sono tomar conta.  No dia seguinte, Garota se levanta e vai para o chuveiro, onde a raiva e a frustração combinavam com o calor da água quente que caía no seu corpo – raiva por ter vindo, raiva por estar sendo ignorada, raiva por ter novamente se colocado em uma situação de pouco amor.

Garota se arruma com sua melhor roupa e decide juntar suas coisas para voltar. Ao sair do quarto, encontra uma mesa de café da manhã montada e os mesmos amigos da noite anterior de volta no apartamento, com garoto de pé e animado com seus convidados, sem notar a mochila nas suas costas, que é deixada no quarto anexo diante da insistência de todos para que ela se junte a eles.

Durante o café, entre uma colherada no seu sucrilhos e um olhar que poderia ser confundido com timidez,  Garoto a convida para conhecer outros amigos.  Garota dá de ombros e pensa: “O que tenho a perder?” e resolve acompanhá-lo, com a sensação de que estava sendo levada por ser uma inevitabilidade e não por um desejo real de apresentá-la para seu ciclo social.

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Ao chegar na outra casa, uma surpresa modificou o rumo dessa história. As amigas a receberam com abraços, carinhos, perguntas, brincadeiras com o sotaque carioca e confort food, preenchendo seu domingo com outro tipo de amor. Aquele que somente boas e novas amizades são capazes de dar.  O fim do dia foi coroado com um lindo por do sol,  um bom papo, selfies cômicas no celular e uma gostosa taça de vinho Chardornay.

Nem sempre a vida nos dá o que esperamos. Mas se estivermos dispostos a observar e perceber, ela sempre nos traz algo para aquecer nosso coração ou preencher o vazio da quebra de expectativa. Sempre existem sinais, se você souber vê-los.  E eles são capazes de cobrir a amargura da incerteza como o chantilly em um café amargo.

O Garoto? Para alguns que lerem esta história, pensarão que ele é egoísta. Outros mais românticos, vão preferir acreditar em timidez.  Psicólogos e terapeutas talvez atribuam sua atitude a uma dificuldade em receber e dar amor.

A Garota também pensou nisso tudo, mas desistiu de entender. Preferiu se divertir com suas novas amizades e continuar acreditando no amor, na certeza de que cada pessoa tem o seu momento e que, justamente por isso, ele não serve para o que ela está buscando. Ao menos não agora. E tudo bem.

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Garota deixa a cidade no dia seguinte, com um sorriso no rosto, devidamente retribuído pelo Garoto, que diz ter adorado conhecê-la. Ela parte preenchida com a certeza de que a vida é feita de encontros e desencontros e que muitas vezes é melhor deixar ir, para permitir que o melhor chegue até você.

Escrito por Isa Schulberg

Isa Schulberg é loira, escritora, jornalista e, nas horas vagas, é psicótica, antropóloga e psicóloga. Quando não está descalça atualizando seu blog, está sempre com os pés em um salto, de olho no que rola por aí.

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