Finalmente fui assistir  La La Land, o hit cinematográfico do Globo de Ouro que promete levar todas as estatuetas este ano.  Eu amo musicais. E amo histórias de amor. Mas nada podia me preparar para o que me esperava nas próximas duas horas.

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Sebastian e Mia são gente como a gente.  E gente como a gente perde o emprego, luta para realizar os sonhos, embarca em uma jornada pessoal maluca que tem tudo para dar errado (e eventualmente dá mesmo), investe em coisas que não gosta porque alguém convenceu a gente de que era o melhor para nossa vida e, finalmente, se apaixona.  E como a gente se apaixona!  E como tomamos decisões certas.  E decisões erradas. E nos vemos diante de becos sem saída que não se tratam de destino mas de escolhas que nós mesmos fizemos.

La La Land  é uma homenagem (ou epitáfio) do universo de possibilidades que  o mundo nos trás e o quanto mudamos e somos impactados pelos encontros inesperados em nossa vida.

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Já fui casada duas vezes.  Como diria Jout Jout, temos que ser gratos por tudo o que vivemos e eu sou.  Grata por toda a bagunça que já fiz na vida. Aprendi muito com meus dois ex-maridos.  Principalmente porque os dois alimentaram meus sonhos e sempre me deram força em tudo o que queria fazer, desde os menores caprichos até projetos grandiosos, que quando aconteceram, eu não os tinha mais por perto para me socorrer ou para me aplaudir.  Não se trata de mágoa ou rancor, muito pelo contrário.  Trata-se da inevitabilidade de errarmos (e de acertarmos), independente da pessoa que esteja do nosso lado.

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O grande problema é que muitas vezes acabamos preferindo viver no “E Se” – como a heroína romântica de Cartas para Julieta.  Ou pior, vivemos no “E quando”, que é esperar por um futuro que nunca chega.  E o presente?  Fica perdido entre estas duas medidas descontroladas. Eu sei, estou divagando um pouco.  Me deixa, que eu estou romântica. Algumas ficções tem o poder de me deixar melosa e dramática e La La Land conseguiu.

Ainda continuo sem paciência para homens babacas, que te dão crush mas não respondem seu Oi?  Continuo.  Os joguinhos de interesse me cansam? Demais.  A peneira anda implacável nas últimas semanas.  Mas creio que este período sozinha, vivendo em outra cidade, tendo que responder por mim mesma e superar os traumas maternos na marra, me faz pensar que tudo bem.

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Tudo bem achar os caras babacas demais para mim.  Tudo bem preferir ver Netflix do que insistir em uma conversa monossilábica com um novo “amigo” de Facebook.  Tudo bem colocar minha melhor roupa e ir dançar acompanhada de mim mesmo (e de quem for agradável aos olhos no recinto e quiser beijar minha boca).  Eu sei que sou gostosa e não tem problema nenhum nisso.

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Mas também sei que sou uma romântica incurável.    Que sou capaz de derreter se alguém me olhar como o Sebastian olhava para a Mia (e nem precisa ser o Ryan Gosling.  Mas se for, eu juro que não deixo ele esperando no cinema).  Que sei cuidar e gosto de ser cuidada.  Que fico imaginando como seria ter um filho e dois cachorros com aquele gato da academia ou o engravatadinho do metrô. Que meu fechamento é você, mozão, onde quer que você esteja.

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O que é seu sempre encontra uma maneira de chegar até você. Tenho um quadrinho com essa frase no meu apartamento, do lado de um livrinho de tirinhas da Philippa Rice.  Gosto de tomar café e olhar para esse cantinho especial.  Me faz bem.  E me faz curtir o presente um pouquinho mais, entre um job e outro, um beijo e outro, um devaneio e outro. A partir de agora, sempre cantarolando “City of Light…are you shining just for me?”

Mia encontrou seu sonho.  Sebastian também.  E viveram felizes e se amando para sempre.  Porque comigo seria diferente?  A vida é mesmo uma sequência de clichês e spoilers.  Ainda bem. Obrigado, La La Land, por me lembrar disso – me custou um pacote de lenços de papel e o preço do ingresso, mas valeu a pena.

Escrito por Isa Schulberg

Isa Schulberg é loira, escritora, jornalista e, nas horas vagas, é psicótica, antropóloga e psicóloga. Quando não está descalça atualizando seu blog, está sempre com os pés em um salto, de olho no que rola por aí.

2 comentários

  1. Achei incrível, se me permite, a forma como você não consegue evitar de ser uma dama em perigo mesmo dizendo que é uma mulher independente, etc. Isso fica nitido quando elogia a forma como o realismo é trabalhada no filme mas no final diz que “o que é seu chega até você.” Mulher é um ser fantastico, mesmo. Ps: Fui totalmente iludida por esse filme :p

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