Mais um aniversário chegou e passou voando.  Este ano, resolvi manter as coisas simples: um bolo de aipim com goiabada, um bar pretensioso em Ipanema e bons amigos. Poucos compareceram da lista de mais de 50 convidados.  Há alguns anos atrás, isso me incomodaria e me faria sentir menos querido.  Hoje, quanto mais me aproximo da casa dos 40, descubro que a lista de aborrecimentos cabe somente a você – e escolho a dedo aquilo ou quem quero que me incomode.

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Nesta lista de prioridades, descobri que antes daquilo o que os outros possam pensar de mim, vem aquilo o que eu quero fazer.  Em primeiro lugar está o que eu penso, o que acredito e no que acho que vale investir.  A idade me trouxe uma certa aversão a gente, ao ser humano.  Descobri que ser egoísta não é um pecado e sim uma virtude.

Ok, nesse momento você deve estar pensando que eu vou me tornar uma daquelas velhinhas detestáveis, que são donas de uma loja de penhores e obrigam seus funcionários a trabalharem inclusive na noite de Natal.  Por mais que goste de Charles Dickens, não tenho a mínima vocação para Tia Scrooge. Até mesmo porque se o fantasma do Natal Passado aparecesse para mim, eu com certeza daria um chute no saco ectoplasmal dele e voltaria a dormir.

Não me entenda mal.  Sou uma egoísta legal. A diferença é que eu resolvi escolher aqueles com quem vou me preocupar, dar meu afeto, estender a mão na hora que precisam de ajuda.  Passei a ser mais exigente na escolha de quem merece meu tempo, pensamento e esforço.  É a mágica dos tempos modernos, onde aqueles que cospem algo que não me agradam simplesmente são deletados da minha linha do tempo.  Para sempre.

Não me preocupo mais com primeiras impressões também.  Se a pessoa me conheceu em um dia que eu não estou bem, em uma tarde que resolvi sair de blusa rasgada e chinelo velho ou se me ouviu fazendo um comentário preconceituoso em uma mesa de bar, problema dela se resolve me julgar e se afastar.  Perdeu a chance de fazer parte daqueles que amo, respeito e me tem por inteiro.

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O fato é que muitas vezes perdemos um tempo enorme com ressentimentos, remorsos, rejeições, que de nada nos servem a não ser fazer com que percamos tempo e deixemos de atingir nossas próprias realizações.  Não vale a pena.  O melhor é virar a página e seguir em frente.  Jogar as roupas velhas fora, fazer uma mega faxina na casa, deletar fotos com o ex – lixo com tudo que não serve mais.  O que fica é a lição aprendida, ainda assim, somente aquelas úteis para nossas próximas decisões.

Para o próximo aniversário? Não sei quantos amigos convidarei para minha festa, ou quantos comparecerão.  Mas sei que continuarei fiel aqueles que me são verdadeiros, que me fazem bem e que me respeitam.  Estarei melhor, serei melhor. Fantasmas de Natais Passados? De nada me servem.  Que venham os 40!

Escrito por Isa Schulberg

Isa Schulberg é loira, escritora, jornalista e, nas horas vagas, é psicótica, antropóloga e psicóloga. Quando não está descalça atualizando seu blog, está sempre com os pés em um salto, de olho no que rola por aí.

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