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Apesar de hoje saber que grande parte dos meus traumas e neuras tem origem na infância (obrigado, Freud), tenho que confessar que tive uma infância privilegiada.  Minha mãe era daquelas que sempre acreditou na tradição oral, e me colocava para ler junto com ela livros de fadas, princesas e finais felizes.

Graças a esse hábito, durante algum período da minha vida, acreditei em romance.  O príncipe encantado capaz de fazer tudo por você estava logo ali, na esquina, bastava um pouco de amor, um cavalo branco e voilá.  A mágica acontecia.

Alguns anos depois, esta Cinderela ainda acredita no príncipe.  Mas ela sabe que também é preciso coragem.  Entregar-se para alguém, começar um relacionamento, e permanecer nele é uma delícia em todas as suas instâncias, mas também tem curvas acentuadas, pequenas quedas e exercícios de resiliência que nem sempre as duas partes estão dispostas a encarar.

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E aí que entra a bondade.  Bondade para olhar o outro e entender as suas fraquezas e limitações; para saber o que falar, quando falar e como falar; para saber admitir a culpa e também para saber perdoar e se doar por completo. A bondade, claro, tem que ser recíproca. Senão, entra em cena de novo a coragem para terminar e começar tudo de novo.

Relacionamento não tá fácil pra ninguém.  A oferta é grande, ampla e farta, principalmente depois que inventaram Grinder, Tinder e outros “inders” –  trocar de pessoas ficou mais fácil do que fazer uma troca de eletrodoméstico na Casa & Video (acredite, eu já passei por isso e quase desisti).

Nessas horas, não podemos deixar de acreditar na magia.  Essa coisa que formiga nosso estômago nas horas mais imprecisas e improváveis e faz com que nos apaixonemos pelo outro novamente, e de novo, e de novo, até a velhice chegar e você olhar para trás feliz por ter dividido tanto com a pessoa certa.

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Foi-se o tempo em que uma abóbora, dois lagartos, camundongos e um sapatinho de cristal resolviam o problema.  A meia-noite acontece para todos, mas isso não significa que não há final feliz. Basta acreditar – e fazer a sua parte.

Cinderela, o filme, me emocionou de diversas maneiras.  Trouxe de volta minha infância sentada junto com minha mãe e um livro colorido; a emoção das primeiras paixões e me relembrou a fórmula para ser feliz: coragem, bondade e um pouco de magia.  Aprendam, crianças.  Cinderela sabia das coisas, e ainda sabe.

Escrito por Isa Schulberg

Isa Schulberg é loira, escritora, jornalista e, nas horas vagas, é psicótica, antropóloga e psicóloga. Quando não está descalça atualizando seu blog, está sempre com os pés em um salto, de olho no que rola por aí.

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