Não sou muito fã destes testes de Internet, para descobrir características de sua personalidade.  Acho que somente três pessoas no mundo podem dizer como realmente sou:  minha mãe, meu psicólogo e meu espelho.   Porém, na semana passada, me senti impelida a responder um destes simpáticos questionários principalmente por causa do tema:  que tipo de bitchy você é.

Para quem desconhece o termo, bitchy no literal significa puta, mulher da vida.  Mas dentro da gíria, seria algo como mulher escrota mesmo.   Mas veja bem, escrota mas com razão de causa.  Uma bitchy é aquela que faz comentários politicamente incorretos em voz alta, garante seus direitos (mesmo que isso signifique desrespeitar um velho  abusado ou uma criança mal educada).  As pessoas costumam ficar chocadas, mas se soubessem o que ela pensa, seria muito pior.Bitchy

Eu me considero uma bitchy e, sinceramente, tenho um certo orgulho disso.   Não se trata de um simples prazer em ver as reações,  é algo que vai um pouco além.  Afinal, falar uma barbaridade, qualquer um é capaz com um mínimo de esforço.  Para ser uma bitchy verdadeira, é preciso saber observar as pessoas ao seu redor e saber criticá-las pelo seu mau gosto, sua falta de senso de ridículo ou simplesmente porque o estranho lhe afeta os olhos.  Bitchy é uma antropóloga da vida, carregada de etnocentrismo e, porque não dizer, uma boa dose de ego e bom humor.

A forma com que se atesta o que foi observado também faz toda a diferença.  A arte está em ser irônica, porém bem humorada, do contrário as pessoas podem achar que você realmente acredita naquilo que você está falando – e a graça é sempre deixar uma certa dúvida no ar.   Em Paris, por exemplo, enquanto aguardava minha formule ficar pronta, presenciei um falsa bitchy batendo boca em português com a atendente que havia trocado o pedido dela.   Bizarro era pouco.  A moça esperava que a francesa entendesse a língua tupiniquim como se fosse obrigação dela.  Isso não é ser bitchy – isso é passar atestado de pobreza.

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Lembro-me que durante algum tempo, por circunstâncias da vida, convivi com um grupo de pessoas que não tinha meu nível sócio-cultural.  Nada contra, acredito que sou uma pessoa que circula bem em todos os níveis.  O grande problema é que meus comentários, em sua maioria, eram tomados como uma ofensa a classe ou não eram entendidos.   Desisti e passei a ficar calada.   O resultado?  Desisti.   Não tenho paciência.

O teste de Internet apontou, categoricamente: eu sou uma mega bitchy.  Provavelmente pouco tolerada em determinadas classes sociais.  Detestada por uns, amada por outros.  Critica antes mesmo de ter opinião formada.  E quer saber?  Descrição fiel.  Isa Schulberg, mega bitchy de carteirinha.  Muito prazer, essa sua calça é horrível e ressalta sua celulite.  Quer uma dieta? Conheço um creme ótimo pra isso. Beijo, me liga.

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FAÇA O TESTE VOCÊ TAMBÉM!!

Escrito por Isa Schulberg

Isa Schulberg é loira, escritora, jornalista e, nas horas vagas, é psicótica, antropóloga e psicóloga. Quando não está descalça atualizando seu blog, está sempre com os pés em um salto, de olho no que rola por aí.

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