old-hippie

Você não faz amor. Seus vizinhos não fazem amor, não interessa o som que vaze pelas paredes. Seus avós não faziam amor. Ninguém faz amor. Hippies não faziam amor, nem mesmo paz; eles fumavam maconha e cultivavam piolhos.
Amor você sente.
Você faz, sim, sexo. Igualmente, também pode trepar, foder, transar, acasalar, há ainda outros equivalentes, alguns descritivos, como meter em alguém; outros ainda mais eufemísticos, tipo comer alguém ou dormir com uma pessoa. Há sinônimos, mas poucos convêm; nheco-nheco por exemplo, se você achar no dicionário, arranca a página! Nhanhar soa igualmente patético. Aliás, quando se fala de sexo, usar um termo para parecer mais inocente é uma idéia terrível. Sexo, foda, transa. Assim, sem medo e com ponto final.
Se tem uma coisa que nos iguala aos animais é isso: o ato reprodutório, a cópula. Sim, eles não chegaram ao nível de, sorte nossa, entretenimento que conhecemos; nem mesmo ao nível de, sorte a deles, avacalhação. Afinal, sim, sexo é um belo ato, mas tal qual Shakespeare, pode ser destruído pelos inexperientes. shakespeare

Você pode fazer sexo com amor, sim, existe, e já me disseram que é muito bom; aliás, você pode fazer tudo com amor, até seu trabalho, a decoração do seu quarto, seu martini. Mas fazer amor, não. Isso, aliás, é só uma forma que inventaram para que mulheres conseguissem não se sentir mal, ou sujas, ou “usadas”, depois do coito. Historicamente, podemos pensar como um termo que tornasse possível ter relações com seus maridos sem que elas se sentissem rebaixadas às outras da rua. “Amor ele faz só comigo”. A esta assertiva, muitas vezes cabia a resposta “deve ser o pior sexo da vida dele, da sua também, mas você nunca vai ter comparação pra saber”. Outra possibilidade é a de que “fazer amor” fosse apenas o recurso que um cara dizia para que virgens entregassem sua honra a ele sem um anel em troca.
Hoje já vivemos outros tempos, certo? Já vencemos esta necessidade de afirmar nossas práticas íntimas e privadas como algo respeitável. Até porque se isto é tudo que você pode dizer do que faz entre quatro paredes, meus pêsames. Pra sua sorte, há profissionais que podem te ajudar; psicólogos, sexólogos, médicos, balconista de sexshop e até aquele pessoal em pé nas orlas do Rio. Escolha logo com qual abordagem quer seguir e seja feliz.
Voltando. Se você só sente amor, mas não faz, você muito menos faz amorzinho. Se “fazer amor” já é… hm… vamos dizer impreciso, “fazer amorzinho” é patético e infantil. E fazer sexo com criança é doentio e nojento; por acaso também é ilegal.
Sem mais.

Escrito por Agatha Tuddot

Agatha Tuddot é ruiva de caixinha, workaholic, doutorada, poliglota, troglodita, e adora confundir, acorda cedo todas as manhãs para praticar Yoga, mesmo que faça isso se maldizendo pelo célebre combo batata frita+mojito com o qual gosta de encerrar suas noites . Aprendeu a trançar seus cabelos antes de entender que seu sobrenome tinha dois Ds e um T que ninguém fala; até hoje não entendeu direito o que aquele H faz ali no meio. Monta playlists sem qualquer lógica, não compreende propagadas de perfume, vive atualizada nos últimos macetes para limpeza doméstica e já assistiu Cosmos depois de ver Ru Paul’s Drag Race. Odiava crianças até segurar a Luíza pela primeira vez no colo, o que a faz rezar novenas para que sua irmã engravide de novo; Monica já mandou parar de onda. Desconsidera toda sua experiência como decoradora quando compra presentes à sobrinha, achando mesmo que ainda caiba mais um naquele apartamento, apesar das expressões de desespero dos adultos da casa. Autoridade em Sex and the City, não gosta quando o feijão toca no frango. Para Tuddot, ir ao mercado significa não sair de lá sem mais uma garrafa de vinho e outra escova para faxina, 2 vezes na semana segue o veganismo. Ex-fumante, nunca quis ser nenhuma das princesas da Disney, mas faz questão de sua casa colocar qualquer postagem do Pinterest no chinelo. Usa relógios, mas checa as horas no celular mesmo, crê que o paraíso seja uma grande papelaria, e até hoje não prefere cães ou gatos. Afirma amar arroz puxado no alho, mas todos sabem que no fundo é movida à pipoca; não aquelas cenográficas feitas no micro-ondas, tem que ser old school. Seu já famoso messy bun foi concedido através de tutoriais do Youtube; 5 ao todo. É adulta, mas não muito boa nisso.

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