Não é coincidência que meu post de estréia seja no dia de hoje, tão emblemático, significativo, polêmico e menosprezado. A Isa já tinha me feito o convite há algum tempo, e eu tava atolada, depois tava enrolada, e aí decidi dar algum sentido à minha preguiça. Esperei até o Dia e finalmente eis-me.we-can-do-it-movie-poster-9999-1010380237

Antes que a turminha reclame que não há dia do homem, vamos entender um pouco da história. No início do século passado, em diferentes países, elas, com ajuda deles, começaram a se organizar para reivindicar coisinhas básicas, como melhores condições de trabalho, direito ao voto e à ocupação de cargos públicos. Por isso, chegou a ser chamado “working women’s day”. Para se ter noção da importância e do valor da mobilização, na Rússia foi o estopim para a Revolução. Ok, hoje a gente vota, presta concurso, até escolhe se vai ter filhos sem ser internada no Pinel, mas isso não quer dizer que a luta acabou. Mesmo que tivesse acabado(acreditem, é o que nós todas queremos – ou ao menos precisamos), o marco do dia de hoje não é uma disputa entre meninos e meninas, não é uma celebração da dor e delícia de ser mãe e fazer as unhas; é um marco histórico, é parte da nossa memória como humanidade, não pode nem deve ser esquecido. Curioso é que ninguém insinua em abrir mão dos feriados da Proclamação da República nem do Dia do Trabalhador, mesmo que o sistema neo-liberalista esteja cada vez mais extinguindo tudo aquilo que as classes operários levaram anos e sangue para conquistar e que em todo mundo a ordem seja uma ditadura velada.

Ainda vemos casos de mulheres violentadas que são tratadas como culpadas pelo tribunal e pela sociedade, ainda temos que escutar que “crime passional não pode ser considerado estatística de violência”, mulheres ainda são objetificadas pela sociedade, reforçada pela mídia; ainda educamos nossas meninas a se comportarem, como se a postura que assumem diante de sua vida sexual definisse seu valor; ainda acham que devemos escutar piadas machistas e rir, caso contrário, não temos bom humor. E o pior é que ainda rotulam feministas de feias mal-amadas com sovacos amazônicos. Ledo engano.

Há feministas de todos os tipos, magras, gordas, depiladas, desleixadas, e até mesmo barbudos com comentários depreciativos. Sim, esses também são feministas. Eles saem para conhecer mulheres na náitch, dão uma conferida nas com minissaia, escolhem uma com papo interessante, perguntam em que trabalham, chamam para jantar outro dia, esticam pro motel, e podem até vir a assumir um compromisso duradouro com ela, mas sem precisar pedir a mão ao pai da moça. Se você não protesta que sua irmã ou mãe vote, você abraça a causa. Feministas não faltam. Falta gente aceitando o pacote completo, entendendo que conceder os mesmo direitos ao outro significa abdicar de alguns dos seus privilégios.

Não, o dia de hoje não é bobagem. É uma memória de uma luta extensa e árdua. Ao invés de dar um botão de flor murcho pra vovó, busque se informar sobre as condições e situações que as mulheres testemunham e sofrem, e que, o pior, é visto como comum e aceitável. Lembre-se de que movimentos contra a segregação, quaisquer que fossem, sempre encontram resistência. Se você é contra, você está do lado do agressor e se opoe ao progresso. Lembre-se de que o feminismo nunca matou ninguém, enquanto que o machismo mata todos os dias.

Sim, vale celebrar o dia de hoje, a causa ainda não acabou, e envolve a todos. Vale mais ainda conscientizar as pessoas que nem tudo aquilo que a sociedade prega e pratica tem que ser engolido como certo.

Escrito por Agatha Tuddot

Agatha Tuddot é ruiva de caixinha, workaholic, doutorada, poliglota, troglodita, e adora confundir, acorda cedo todas as manhãs para praticar Yoga, mesmo que faça isso se maldizendo pelo célebre combo batata frita+mojito com o qual gosta de encerrar suas noites . Aprendeu a trançar seus cabelos antes de entender que seu sobrenome tinha dois Ds e um T que ninguém fala; até hoje não entendeu direito o que aquele H faz ali no meio. Monta playlists sem qualquer lógica, não compreende propagadas de perfume, vive atualizada nos últimos macetes para limpeza doméstica e já assistiu Cosmos depois de ver Ru Paul’s Drag Race. Odiava crianças até segurar a Luíza pela primeira vez no colo, o que a faz rezar novenas para que sua irmã engravide de novo; Monica já mandou parar de onda. Desconsidera toda sua experiência como decoradora quando compra presentes à sobrinha, achando mesmo que ainda caiba mais um naquele apartamento, apesar das expressões de desespero dos adultos da casa. Autoridade em Sex and the City, não gosta quando o feijão toca no frango. Para Tuddot, ir ao mercado significa não sair de lá sem mais uma garrafa de vinho e outra escova para faxina, 2 vezes na semana segue o veganismo. Ex-fumante, nunca quis ser nenhuma das princesas da Disney, mas faz questão de sua casa colocar qualquer postagem do Pinterest no chinelo. Usa relógios, mas checa as horas no celular mesmo, crê que o paraíso seja uma grande papelaria, e até hoje não prefere cães ou gatos. Afirma amar arroz puxado no alho, mas todos sabem que no fundo é movida à pipoca; não aquelas cenográficas feitas no micro-ondas, tem que ser old school. Seu já famoso messy bun foi concedido através de tutoriais do Youtube; 5 ao todo. É adulta, mas não muito boa nisso.

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