Mais um ano começa e essa época sempre me deixa meio tensa.  Após 365 dias e uma finalização que sempre envolve muita bebida e comemoração, vem aquele peso na consciência que vai além da ressaca.  É como se uma voz divina, com um dedo enorme apontado para você, perguntasse  “Então, o que você vai fazer agora?”    Dane-se o que passou,  é hora de pensar no futuro.

É a mesma sensação de quando vejo uma liquidação.  Os cartazes parecem me chamar para dentro da loja e uma vez lá dentro, sinto-me na obrigação de comprar algo, mesmo que não precise de fato, porque está muito barato e seria uma loucura deixar passar esta oportunidade.   É quase uma obrigação moral, social e religiosa. assim como é quase obrigatório fazer uma lista de resoluções para o próximo ano.

O meu problema é que da mesma forma que não sou fiel as minhas constantes promessas de não comprar mais uma blusa rosa, também não costumo ser muito fiel às minhas decisões para o ano que está por vir.  Na verdade,  esqueço-me delas antes do fim do primeiro semestre.  Não que não me esforce,  mas depois de algum tempo, elas parecem tão sem sentido que resolvo me concentrar em outras coisas.  Como blusas rosas.

Para o próximo ano, eu vou vender minha coroa, doar o dinheiro para a África, raspar a cabeça e virar uma monja religiosa e casta. Só que não.
Para o próximo ano, eu vou vender minha coroa, doar o dinheiro para a África, raspar a cabeça e virar uma monja religiosa e casta. Só que não.

A grande verdade é que agora que passei da casa dos 30 anos, estou satisfeita com minha vida.  Não ganho tanto quanto gostaria, não tenho tudo como uma Kardashian, mas cheguei a um ponto em que me considero com amizades sólidas, vivo com alguém que amo e que me ama e, por mais ansiosa e impulsiva que seja minha natureza, aprendi a deixar passar muitas coisas sem me torturar ou tomar atitudes imaturas em represália.

Como pessoas que se dizem suas amigas, mas deixam de falar com você porque um dia você recusou um convite para sair, ou pior, porque elas não aprovam suas escolhas.    Ou me sentir culpada porque joguei fora minhas roupas ao invés de doá-las para uma Igreja.  Ou a relação da cor verde com o sorvete de pistache – não seria mais correto que ele fosse da cor da semente? Para que tanto desperdício de corante?  Eu nem gosto de sorvete de pistache.  Prefiro de Creme e Flocos.  Não posso fazer nada se sou clássica.

Para o próximo ano, então, eu quero comer menos chocolate,  cuidar mais do meu corpo sem tomar remedinhos,  me sentir bem naquela blusinha decotada e ser um pouco mais gentil com quem me pede opiniões e conselhos.   Não é exatamente uma lista que vai me garantir um lugar no céu,  mas com certeza é mais coerente do que prometer escolher uma religião e promover a paz mundial me associando a uma ONG Hippie.   Que venha 2013.

Escrito por Isa Schulberg

Isa Schulberg é loira, escritora, jornalista e, nas horas vagas, é psicótica, antropóloga e psicóloga. Quando não está descalça atualizando seu blog, está sempre com os pés em um salto, de olho no que rola por aí.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s