A cena clássica em que a mulher anda na rua abraçada com seu par romântico, enquanto ele olha para outra que passa, já foi vista em filmes, comédias, peças, comerciais e, claro, na vida real.  Entre as diversas reações, a mais comum é o garanhão ganhar um belo tapa na cara, para deixar de ser besta.   O que acontece depois, ninguém sabe – talvez somente aqueles que fazem parte do círculo mais íntimo do casal.

Nos dias de hoje, a “olhada pro lado”  tomou novas proporções.  Com o advento das redes sociais, cutucadas, apps de relacionamento e tantas outras formas de comunicação, nem sempre é possível detectá-la.  E, como diria uma grande amiga minha,  o que não pode ser visto, nunca existiu.   Concordo com ela em partes.

Podem me chamar de antiquada, vintage, paranóica, velha matrona.  Do alto dos meus 33 anos recém completados no dia 15,  posso dizer que sou pouco tolerante.  Quando estou com alguém, sou dedicada e apaixonada – quero, desejo o meu homem e vou buscar me satisfazer (em todos os sentidos) com ele.   Não existem outros.  Do contrário, qual seria o sentido de estar comprometida?  Mas também quero e exijo o mesmo de quem está comigo.

Toda essa discussão começa na definição do verbo Trair.  De acordo com o Aurélio,  significa Delatar, Denunciar, Ser Infiel, Revelar involuntariamente.  Isso seria quase óbvio, mas não é.   Existe um limite muito tênue entre o estar comprometido e o trair.   Sem querer ser trágica,  e não me excluíndo desse montante, defendo que 98%  da população mundial já foi traída.  Entre os outros 2%,  1% não sabe que foi traído em relacionamentos passados e 1% está sendo traído atualmente e não faz ideia.

Mas calma!  Não entre em pânico e comece a enxergar chifres imaginários fora de lugar, amiga.  A psicose para quem já passou na mão de diversos canalhas é inevitável, mas você não pode deixar que ela te domine.  Muitas vezes, as atitudes erradas levam as piores consequências, entre elas, fazer seu príncipe encantado correr (de fato) para os braços de outra.

Segue uma breve lista para que você consiga administrar a Psicótica Moderna que vive dentro de você.  Saiba definir quando tudo não passa de ilusão, e quando é preciso tomar medidas mais drásticas – da palma da mão na cara até a tesoura de jardineiro. A reação deixo a cargo da psicose de cada uma, afinal, o Loira no Salto não é uma escola de psicopatas.  Ou pelo menos não pretende ser.

O Celular

Se alguém me liga enquanto estou acompanhada, por uma questão de educação, sempre informo ao desligar com quem acabei de falar. Se necessário, dou um breve histórico da pessoa.   Você não deve esperar o mesmo do outro, mas se ele sempre atende ligações de uma mesma pessoa, ou constantemente recebe mensagens de uma desconhecida, cabe a você perguntar quem é a sirigaita.  Uma resposta sincera é objetiva e esclarece  tudo sem enrolação.   Ainda com ciúmes?  Fale abertamente.  A Psicótica Moderna não pode ser orgulhosa, porque ela gosta de repetições para ter certeza de que tudo não passa de….psicose.

O Passado

Em algum momento do relacionamento, vocês vão acabar falando ou encontrando por acaso outras pessoas com quem flertaram ou estiveram juntas.   A regra é simples.  O círculo de relacionamento individual de cada um deve se tornar um só, mesmo que aos poucos.   Recusas ou adiamentos em falar de você para aquela Ex que virou coleguinha são difíceis de engolir e um estímulo para a Psicótica Moderna.  Busque explicações e apresentações.  Lembre-se de  que quando amamos, queremos apresentar, exibir, temos orgulho de estar com a pessoa de desejo e de falar dela.  Fato.

O Facebook

O Inferno da Psicótica Moderna.  Para ela, algumas regras de etiqueta. É muito legal postar recados românticos, mudar o status de relacionamento, marcar ele em fotos, mas pegue leve.  Não exagere na marcação de território,  deixando, por exemplo, um recado mal educado para a vaca de biquini que disse que o seu homem é fofo.  Pergunte a ele gentilmente quem é a madame e faça um double check  nos tópicos anteriores.  Não custa dizer a ele que você gosta de ser paparicada com mensagens abertas e fotos marcadas.  Se ele gosta de você, vai entender.  E nem vai ser preciso usar a enforcadeira ou a faca guinzu!

A Obediência

Ok, ele não te retornou logo depois que você ligou.  Ele avisou que chegava em meia hora, já se passaram 31 minutos e nem sinal de vida.  Controle o desejo impulsivo de ligar pela 546 vez, não dê asas a sua imaginação fértil e aguarde.  Em algum momento ele vai aparecer, se justificar e cabe a você julgar se ele foi convincente ou não.  Confie nos instintos, mantenha a frieza e ganhe o direito de pedir para ele não bancar o indiferente com você.   Até mesmo porque, quando a Psicótica Moderna resolve pagar na mesma moeda…  digo que ninguém melhor para controlar sentimentos alheios do que alguém que controla os seus diariamente.  Uma Psicótica Moderna querendo se vingar não é algo legal de se presenciar.

Se tudo falhar….

Se tudo falhar e você pegá-lo no ato… respire fundo, pare de imaginar formas criativas de matá-lo.  Relativize.  Um papo mais quente com a vaca do Facebook, uma cantada na vagabunda da festa ou uma olhadela para a tigreza brega da academia não chegam a ser traição, por isso, ele merece uma chance de se explicar.  Se ele for convicente, deixe passar, desde que isso não vire um hábito.

Uma transada sob efeito de álcool ou drogas psicotrópicas podem ser perdoadas se o que vocês construíram juntos é muito forte para se deixar abalar.   Mas ele deve saber se fazer perdoar para resgatar sua confiança e você, cara psicótica, deve ser capaz de conseguir virar a página.  De vez.  Tome seu remédio e esqueça.

O melhor remédio da psicótica moderna

Mas atenção! Nunca, nunca aceite um caso paralelo.  Homem que presta serve a só uma mulher, única, soberana e diva.  Se nem os Mormons conseguem se entender com mais de uma esposa, não é você, psicótica, que vai tolerar um negócio desses.

Se ele não quer ser somente seu, meu bem, o que não falta é marmanjo gostoso te querendo….  abandone a idéia de cortar membros alheios para dar pro cachorro.  O pobrezinho do animal teria indigestão e ainda ficaria com fome.  Parta para outra.  Afinal, a Psicótica Moderna merece um especialista que a entenda e consiga manter seus impulsos sob controle…  nem que para isso você passe por vários manicômios.  Beijos da Loira!

Escrito por Isa Schulberg

Isa Schulberg é loira, escritora, jornalista e, nas horas vagas, é psicótica, antropóloga e psicóloga. Quando não está descalça atualizando seu blog, está sempre com os pés em um salto, de olho no que rola por aí.

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