Romântico, bonito, carinhoso, atencioso, que faça todos nossos desejos, cozinhe, passe, lave e esteja a nossa disposição sempre que quisermos, para tudo o que quisermos.  Todas nós passamos boa parte de nossas vidas procurando Príncipes Encantados. Queremos alguém que nos complemente e seja sinônimo de felicidade.

O grande problema é que, no mundo moderno, as coisas não funcionam exatamente assim.  E o resultado disso são relacionamentos com pessoas que não são tudo isso,  ou às vezes são absolutamente nada disso.  Como seres humanos agregadores, que procuram viver em conjunto, buscamos mais uma companhia do que  A Companhia.  E a maneira com que fazemos isso talvez seja onde esteja o nosso erro.

Eu sou absolutamente a favor do partido dos sapos.  Durante minha vida, já beijei muitos deles.  Alguns, mostraram grande potencial para príncipe, mas acabaram se perdendo no brejo da baixa auto-estima e da desconfiança, por pouco não me levando junto.  Outros continuaram sapos verruguentos, mas eu, na minha ânsia de estar com um Príncipe, relevei a frieza da pele e o hálito de mosca simplesmente porque não queria estar sozinha.  Os demais foram tão passageiros, porém tão venenosos, que deixaram marcas que persistem até hoje.

Posso dizer que acabei virando uma princesa um tanto quanto estrupiada de tanto levar tombos e molhar meus sapatos de cristal na lagoa. Continuo linda e vestida com o último balonet da Channel, mas ainda assim, com olheiras visíveis de cansaço de tanto sonhar acordada com o Sr. Perfeito.  E haja Helena Rubenstein para disfarçar tudo isso.

Vamos, queridinha, apenas um beijo. Eu juro, sou um Príncipe, confie em mim. Olhe para este rostinho, por acaso eu mentiria? Não, não tenho namorada. Eu te amo, claro que vou te respeitar. Não sou como os outros caras, juro. Prometo que te ligo de volta, por favor, querida, por favor.

Somos, enquanto princesas, resultados dos sapos que encontramos em nossas vidas.  Algumas aprenderam a lidar muito bem com isso, por natureza ou pagando psicólogos.  Outras sabem disfarçar muito bem ou pelo menos tentam.  E uma terceira parte, ainda tem muito o que peregrinar pelo campo dos relacionamentos para chegar onde as veteranas estão.  No fim, todas essas experiências são válidas, porque levam a nós, princesas, a perceber a realidade nua e crua: o Príncipe Encantado não existe.  Nunca existiu.

Não quero ser depressiva ou distribuir maçãs envenenadas para acabar com os sonhos e finais felizes – isso faria de mim a bruxa malvada da história.  Onde quero chegar é que todos nós, príncipes, princesas, sapos, bruxas, somos falíveis de erro.   Temos uma igual proporção de falhas para qualidades.  A mágica está em saber enxergar os dois lados da moeda na pessoa amada e, acima disso, até que ponto a parte boa vale muito mais a pena do que a parte ruim.

Já recebi uma boa dose de bons e maus conselhos ao longo de minha vida amorosa, mas existe um de que nunca me esqueço e carrego como um mantra em minha vida.  Quando estamos com alguém e bate a dúvida se vale a pena continuar ou não, basta se perguntar o que o outro tem a te agregar.  Você pode contar com ele para ajudá-lo a atingir seus sonhos?  Você está disposta a estar ao lado dele para auxiliá-lo a atingir suas metas?  E ainda, vocês dois tem planos em comum, onde cada um faz sua parte para eles se realizem?  Se a resposta para estas três perguntas for sim, então é porque você está no caminho certo, com a pessoa certa.   Esta pode não ser uma fórmula mágica, mas todas as vezes que parei para aplicá-la, o resultado foi e continua sendo infalível.

Enquanto princesas, precisamos manter nossa majestade (leia-se dignidade).  Valorizar e ser valorizadas.  Amar e ser amadas na mesma proporção.  Ter liberdade para conversar sobre o que sentimos, mas também saber ouvir e reconhecer onde erramos.

No final, príncipe é aquele que te completa, não por ser perfeito, mas por ser capaz de transformar você em uma pessoa melhor do que se estivesse sem ele – e vice-versa.  Em um conto de fadas onde herói e heroína dançam juntos, em harmonia, não há espaço para bruxas, nem outros seres demoníacos.

E aí?  Pronta para continuar beijando mais sapos?  Beijo da Loira!

Escrito por Isa Schulberg

Isa Schulberg é loira, escritora, jornalista e, nas horas vagas, é psicótica, antropóloga e psicóloga. Quando não está descalça atualizando seu blog, está sempre com os pés em um salto, de olho no que rola por aí.

4 comentários

  1. Na verdade acredito que somos todos meio princesas meio sapos rs, e nessa jornada acabamos optando por morar no palácio ou seguir na lama.
    Adorei o texto .
    Parabens gata.
    🙂

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