Olá, meu nome é Isa, e sim eu sou ciumenta.  Muito.  Do tipo que enxerga qualquer amiga dele como inimiga, até que a bonitinha seja devidamente apresentada  e se faça extremamente convincente.  Ou seja,  até que ela me prove o contrário, tenho certeza que  sonha em espalhar os cabelinhos ressecados dela no peito forte do meu namorado.

Por mais maníaco-obssessivo-compulsivo que isso possa parecer, é livre de culpa que posso afirmar que toda a mulher é assim como eu.  Algumas disfarçam mais,  outras não sabem disfarçar (e estão na lista negra da comunidade masculina) e a maioria fica no meio do caminho.   Mas a grande verdade é que o famoso bichinho verde do ciúme habita mesmo dentro de cada uma de nós e não há exorcismo que o tire de lá.

Culpa dos homens, que não conseguem ser fiéis?  Não.  Trata-se de uma defesa natural do ser humano, que vem desde os primórdios da humanidade e acontece, inclusive, entre  os animais.   Rosnar diante da ameaça nada mais é que instinto de defesa e a garantia de que aquela hiena safada não vai comer a carne que você suou para conquistar.

Eu não sou ciumenta! Apenas faço justiça com minha faca! Cadê a sirigaita do torpedo?!

O ciúme não é mais fashion?  Irrita? Concordo.  Ninguém quer uma louca possessiva pra chamar de sua, até porque todos tem direito a ter suas amizades, inclusive com o sexo de interesse.   Então, cara amiga, o segredo está no autocontrole.  Vamos lá.  Respire, inspire fundo.  Aquela lindinha que fica mandando torpedos dizendo que está morrendo de saudades do seu namorado é sem dúvida uma vaca, mas você não vai descontar nele.  É hora de aprender a controlar suas reações inseguras.

Primeiro, evite o álcool.  Se você está chateada com alguma situação,  tequila não é a solução.  Mantenha a mente limpa para conversar com ele de maneira séria e adulta, sem mais drama do que a situação pede.

Nem tudo é o que parece ser.  Se ele chama a amiga de “gostosa”, “delícia” em pleno Facebook e ela corresponde com apelidos semelhantes, seja simpática, controlada e saiba esperar o momento certo.  Lembre-se que homens não sabem mentir e que nós somos ótimas para identificar suas mentiras.

Pergunte.  Esclareça.  Não diga que não se incomoda que ele saia sozinho com a amiga querida dele só para parecer uma mulher descolada.  Deixe claro que gostaria de conhecê-la, da mesma forma que você faz questão de apresentar seus amigos gatos para ele.  A partir do momento em que se está em um relacionamento,  a  “minha amiga”  tem que virar  “nossa amiga”.  E isso vale para os dois.

Não faça nada estúpido que vá se arrepender depois.   Ou seja, futucar celular,  ouvir ligações,  segui-lo ou qualquer uma dessas atitudes maníaco-obssessivas estão vetadas.  Respeite o espaço do outro para a ter o seu próprio espaço respeitado.  Você quer ser a companheira dele e não a enforcadeira pessoal.

Essa ruiva acha que me engana. Vamos ver como ela vai estar amanhã depois do laxante que eu coloquei no champagne dela.

Pense por uma noite.  Ou duas.  Será que aquela amiga dele está mesmo querendo algo mais?  Ele está realmente correspondendo?  Deite sua cabeça no travesseiro e reflita antes de sair apontando o dedo feito uma Rainha Louca.  De repente essa sua insegurança pode ser uma necessidade de atenção e afeto que vai passar assim que vocês estiverem a sós novamente.

Cuidado ao comentar suas inseguranças com as amigas.   Elas querem seu bem e, na maior parte das vezes, vão te dar um bom conselho.   Mas sempre vai ter aquela que vai dar razão para seu ataque de ciúmes e inflamar a Louca dentro de você.   Melhor evitar segundas opiniões antes de ter certeza que não há como resolver diretamente com ele.

Coloque-se no lugar dele.   Para saber como abordá-lo sobre alguma insegurança ou ciúme,  pense como gostaria que ele o fizesse se fosse ao contrário.  Saia um pouco do quadrado.   Fazer este exercício vai inclusive te ajudar a perceber se vale realmente a pena continuar encucada ou não.

Eu? Ciumenta? Imagina. Só porque faço minhas sobrancelhas com uma tesoura cirúrgica….

Não faça o que você não gostaria que ele fizesse com você.   Regra dourada.  Provocar, ironizar ou debochar definitivamente não é a melhor solução para resolver seus ciúmes.  Na maioria das vezes quem sai perdendo é você.

Realizados os passos anteriores, fale com ele.  Converse.   Ouça e expresse seus sentimentos.  A clareza, objetividade e sinceridade de ambas as partes ajuda a acalmar o monstro do ciúmes.  Sempre.

Por fim, saiba pedir desculpas.  Somos humanas, erramos e o ciúme as vezes toma conta.  Não é nossa culpa se de repente suas mãos ganharam vida própria e você pulou no pescoço da sirigaita no meio do restaurante.  Reconheça o erro,  esforce-se para não cometê-lo novamente…. e arque com as consequências.  Quem disse que a vida é fácil?   Beijão da Loira.

Escrito por Isa Schulberg

Isa Schulberg é loira, escritora, jornalista e, nas horas vagas, é psicótica, antropóloga e psicóloga. Quando não está descalça atualizando seu blog, está sempre com os pés em um salto, de olho no que rola por aí.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s