Desde a semana passada, decidi que quero ser magra.  Não esquelética como aquelas modelos do catálogo da Huis Clois, deus me livre.  Mas quero poder me olhar no espelho e admirar uma barriga lisa, digna de Angelina Jolie antes da gravidez.  E em uma época ingrata como a Páscoa, tive que estabelecer limites para minha gula. 

Enquanto escondia o Toblerone e resistia a vontade de comer minha dose semanal de Lindz Meio Amargo, recebi o telefonema de uma amiga muito querida, que estava em crise.  Tinha pegado no celular do namorado uma troca estranha de mensagens entre ele e outra mulher.  Já ia ser solidária, quando me toquei que havia algo errado nessa história.  O que levou minha BFF a fuxicar o celular do outro?  Quando a indaguei, ela ficou sem resposta.

Limites.  Essa palavrinha tão pequena mas tão cheia de significado.  Quando estamos em um relacionamento, é normal compartilharmos nossos pensamentos, opiniões, controle remoto e um lado da cama, mas aonde fica aquela linha imaginária que estabelece até onde o outro pode ir e até onde você pode chegar?

Eu sempre fui uma pessoa bastante razoável com meus limites.  Quando estou apaixonada, me entrego de verdade, faço coisas pela pessoa amada e abro exceções porque disso é feito um relacionamento.   Mas nem sempre fui correspondida nesse aspecto.  Não me culpo, afinal, quem de nós nunca esteve com aquele cara por quem você dava o mundo e ele não dava nada por você, para você ou para as amantes?  Sim, porque Fidelidade não compõe o Aurélio dos famosos Canalhas-de-Plantão.  Esses moços irresistíveis, bonitinhos, mas ordinários até o talo.

Tentador, mas ordinário.

Se você nunca passou por um, sorte sua.  A gente sofre na mão dele, mas quando finalmente conseguimos nos livrar, aprendemos uma importante lição: a de nos darmos valor.  Afinal, o que você nunca mais na sua vida vai abrir mão, por ninguém?  O que, para você, é intolerável em um relacionamento?  A perspectiva muda depois de um Canalha na sua vida.

O grande problema é que ele também deixa pequenas marcas, que para algumas mulheres somem com o tempo, mas para outras, persistem como uma mancha de vinho tinto naquele vestido branco creme da Channel.  E às vezes nem mesmo o Psicológo Vanish Multi Ação Super O2 resolve.

Quem sofre com isso são os relacionamentos seguintes.  Com medo de sermos novamente enganadas, esquecemos que limites também servem para o outro e acabamos virando loucas-obsessivas-paranóicas,  que não sossegam enquanto não encontram algo estranho ou fora do comum.   E é numa dessas que o Cara-dos-Sonhos se assusta e sai correndo no cavalo branco para bem longe de você.

A dica que fica é quase um dever de casa.  Pegue uma folha em branco e faça uma lista dos seus limites.  Prenda no espelho, leve com você na bolsa Prada, leia sempre que possível.  Mas não esqueça é preciso também respeitar a lista do seu companheiro – ou você acha que ele também não tem uma?

No final das contas, a tal conversa que minha amiga pegou não era nada de mais.  Ela fez a lista dela e compartilhou com seu namorado, que confessou também ter diversos traumas de mulheres Vaca-Leiteira, o correspondente feminino dos Canalhas-de-Plantão.  E os dois estão felizes.  Cada um respeitando seus próprios limites.   Inclusive aquele que diz não é permitido roubar o chocolate da geladeira alheia.  Ai, amor, logo um Mundy com Creme Branco?!  Que vontade!  Aliás, quem foi que te deu ele, hein?!  Humpft.

Escrito por Isa Schulberg

Isa Schulberg é loira, escritora, jornalista e, nas horas vagas, é psicótica, antropóloga e psicóloga. Quando não está descalça atualizando seu blog, está sempre com os pés em um salto, de olho no que rola por aí.

4 comentários

  1. Loira, achei Tudo… O problema é que esses limites são uma escolha. A gente tem que escolher dar limite pra nós mesmos antes de dar limites para o outro.

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