Neste último fim de semana, resolvi colocar aquele meu jeans Colcci, troquei o salto por um Nike Femme (de plataforma, obviamente) e decidi ir ao cinema dar uma chance para  Jogos Vorazes.  Não conhece? Por favor, em que mundo você estava? É aquele filminho baseado no livro, onde vários adolescentes são jogados em um ambiente inóspito e, além de sobreviver, tem que matar os coleguinhas.  O jogo só acaba quando sobrar um.

Por mais que o enredo soe como algo sádico, devo admitir que fiquei surpresa com o desenrolar dos acontecimentos nas duas horas de filme.  O assunto é pesado? Sim.  Tem sangue, ossos e mortes? Sim.   É inverosímel como Harry Potter? Sem dúvida alguma.   Mas a grande diferença é que esta é a primeira história das levas para pré-adolescentes em que tudo é… real.  Sem mágica, sem dentes afiados, sem super-poderes.  Apenas a vontade de sobreviver.  Um reality show assistido por uma elite, que faz parte do livro, e também por nós, em uma brincadeira onde os protagonistas se confundem com espectadores (ou leitores, para quem se divertiu com o livro).  Tudo contado de maneira orquestrada e com maestria por diretor e escritor.

Em tempos que realities de sobrevivência são comuns como banana, me vi obrigada a sair do cinema tentando descobrir o que faz de Jogos Vorazes uma história tão interessante.  E cheguei a conclusão de que são seus personagens.  Sob a falsa desculpa de serem jovens, e por isso teoricamente imaturos, eles encarnam todos os esterótipos que encontramos em nosso meio social, no trabalho, na escola, na família, no dia-a-dia.  Aquela que não acredita no próprio talento, a que confia fácil nos outros,  o que segue a maré,  o rebelde sem causa, o manipulador.  Estão todos lá, desfilando diante dos nossos olhos e…se matando.   Trazendo-nos prazer (ou tristeza) ao assistir suas mortes.  Isso nos faz monstros como o organizador do reality no filme?  Não, nos faz humanos.

Amiga, faça a meia culpa.  Vai me dizer que você nunca ficou com vontade de jogar aquela colméia de vespas assassinas na cabeça daquela loira sirigaita que dá em cima do seu marido?  Ou ainda vai me dizer que nunca sonhou em poder ficar perdida com aquele gatinho que não te dá bola, no meio de uma floresta, só vocês dois, cuidando um do outro?   E a vontade de jogar aquele Ex Escroto em um buraco cheio de lobos carniceiros, foi parar onde?  Eu, no escurinho do cinema, matei na minha imaginação pelo menos umas cinco assombrações, de maneiras que não ouso narrar aqui para que vocês não achem que sou psicótica ou um projeto de serial killer no salto.

Jogos Vorazes vale o ingresso.  O livro já está na minha wishlist.  Mas acima disso, o filme é o cinema na sua melhor funcionalidade: a de nos fazer esquecer dos problemas mal resolvidos ou sem solução.  Com o bônus de nos ajudar a extravasar aquela febre assassina-nikita-buffy que guardamos na caixinha de ódio da humanidade, logo ali, na parte do fundo do hipotálamo – principalmente em dias de TPM.    É isso ou chocolate, minha cara.  E sinceramente, pelo menos cinema não engorda.  Feliz Jogos Vorazes para todos!

Escrito por Isa Schulberg

Isa Schulberg é loira, escritora, jornalista e, nas horas vagas, é psicótica, antropóloga e psicóloga. Quando não está descalça atualizando seu blog, está sempre com os pés em um salto, de olho no que rola por aí.

1 comentário

  1. Acho que acima de ser entreterimento, dos melhores, o filme nos faz questionar os valores sob os quais as sociedades se firmam, e simplesmente perduram sem questionamentos.
    Muito bom o filme, tambem recomendo.

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