As grandes damas da história simplesmente me fascinam.  Elizabeth, Carlota, Diana, Maria Antonieta – cada uma delas desempenhou um papel singular, em sua época, e fez história encarando de frente regimes que olhavam torto para o sexo feminino.  Foram respeitadas, amadas, odiadas, idolatradas, traídas e algumas foram até mesmo santificadas.  Mais do que governantes, considero a todas verdadeiras guerreiras.

Da leva previsível de filmes que levaram a estatueta esse ano, fiz questão de priorizar A Dama de Ferro antes de qualquer outro.  Margaret sempre foi para mim, desde o colégio, uma figura intrigante.  Os livros de História a retratam como a megera, a bruxa, a infame, a dominadora, dando destaque para seu governo de pulso firme, responsável por conflitos internos e externos, que durante quase 12 anos colocaram a Inglaterra em foco no mundo todo. Suas roupas, seu cabelo, seu olhar, passavam austeridade, medo e até mesmo um pouco de loucura.  Mas na minha cabeça eu sempre me perguntei onde estaria a mulher por trás deste monstro tão temido.

Com narrativa no momento presente, o filme nos mostra uma Margaret idosa, com ligeiros toques equizofrênicos, largada pelos filhos em uma casa sob cuidados psiquiátricos, e conta sua vida através de flashbacks.  Fiel aos fatos retratados pela mídia e por historiadores, o filme nos mostra uma Tatcher que lutou contra tudo e todos. Inclusive sua família.

Sua dedicação ao País levou a vida de seu marido, a consideração de seus filhos e parte de sua sanidade.  Quem ganhou com isso?  Os ingleses, que hoje tem uma das economias mais fortes de Europa, graças aos sacrifícios impostos por uma mulher, que também teve perdas no processo.

Tatcher para mim é um exemplo a ser seguido.  Não na Política – deixo esta discussão para os historiadores e universitários.  Refiro-me ao que tange o universo feminino. Mais que Amélia, ela sim foi uma mulher de verdade, porque soube segurar as rédeas da situação, lutar pelo que acredita e dispensar aqueles que não eram capazes de acompanhá-la.  Nenhum homem a dominava. Aquele que ficou ao seu lado, é porque sabia de seu sonho, conhecia seu potencial e a apoiava, acima de tudo e de todos. Porque amor tem dessas coisas também.

E é essa a grande verdade que as mulheres de hoje deveriam saber.  Homens que as dispensam, não são porque há algum problema com elas, e sim porque eles não estão a sua altura.  Faltam mulheres Tatcher no mercado, o que aumenta exponencialmente o número de homens palhaços, abusados, malucos, sem-noção.

Se você ainda não entendeu o recado, minha cara, assista Dama de Ferro,  inspire-se, jogue fora o chapéu retrô (mas mantenha o colar de pérolas) e saia do cinema para um banho de loja e um corte novo de cabelo. Faça da sua vida uma Inglaterra digna e não uma Grécia devastada.  Ou você vai deixar aquele argentino safado acabar com suas Maldivas?  Acho que não.

Escrito por Isa Schulberg

Isa Schulberg é loira, escritora, jornalista e, nas horas vagas, é psicótica, antropóloga e psicóloga. Quando não está descalça atualizando seu blog, está sempre com os pés em um salto, de olho no que rola por aí.

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