Confissões de uma Mega Bitchy

28 set

Não sou muito fã destes testes de Internet, para descobrir características de sua personalidade.  Acho que somente três pessoas no mundo podem dizer como realmente sou:  minha mãe, meu psicólogo e meu espelho.   Porém, na semana passada, me senti impelida a responder um destes simpáticos questionários principalmente por causa do tema:  que tipo de bitchy você é.

Para quem desconhece o termo, bitchy no literal significa puta, mulher da vida.  Mas dentro da gíria, seria algo como mulher escrota mesmo.   Mas veja bem, escrota mas com razão de causa.  Uma bitchy é aquela que faz comentários politicamente incorretos em voz alta, garante seus direitos (mesmo que isso signifique desrespeitar um velho  abusado ou uma criança mal educada).  As pessoas costumam ficar chocadas, mas se soubessem o que ela pensa, seria muito pior.Bitchy

Eu me considero uma bitchy e, sinceramente, tenho um certo orgulho disso.   Não se trata de um simples prazer em ver as reações,  é algo que vai um pouco além.  Afinal, falar uma barbaridade, qualquer um é capaz com um mínimo de esforço.  Para ser uma bitchy verdadeira, é preciso saber observar as pessoas ao seu redor e saber criticá-las pelo seu mau gosto, sua falta de senso de ridículo ou simplesmente porque o estranho lhe afeta os olhos.  Bitchy é uma antropóloga da vida, carregada de etnocentrismo e, porque não dizer, uma boa dose de ego e bom humor.

A forma com que se atesta o que foi observado também faz toda a diferença.  A arte está em ser irônica, porém bem humorada, do contrário as pessoas podem achar que você realmente acredita naquilo que você está falando – e a graça é sempre deixar uma certa dúvida no ar.   Em Paris, por exemplo, enquanto aguardava minha formule ficar pronta, presenciei um falsa bitchy batendo boca em português com a atendente que havia trocado o pedido dela.   Bizarro era pouco.  A moça esperava que a francesa entendesse a língua tupiniquim como se fosse obrigação dela.  Isso não é ser bitchy – isso é passar atestado de pobreza.

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Lembro-me que durante algum tempo, por circunstâncias da vida, convivi com um grupo de pessoas que não tinha meu nível sócio-cultural.  Nada contra, acredito que sou uma pessoa que circula bem em todos os níveis.  O grande problema é que meus comentários, em sua maioria, eram tomados como uma ofensa a classe ou não eram entendidos.   Desisti e passei a ficar calada.   O resultado?  Desisti.   Não tenho paciência.

O teste de Internet apontou, categoricamente: eu sou uma mega bitchy.  Provavelmente pouco tolerada em determinadas classes sociais.  Detestada por uns, amada por outros.  Critica antes mesmo de ter opinião formada.  E quer saber?  Descrição fiel.  Isa Schulberg, mega bitchy de carteirinha.  Muito prazer, essa sua calça é horrível e ressalta sua celulite.  Quer uma dieta? Conheço um creme ótimo pra isso. Beijo, me liga.

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Amar é querer ser filet mignon

2 set

No início, é tudo paixão.  Você encontra aquele que pode ser a sua cara metade, se entrega ao romance, ao sexo e aquele início gostoso de qualquer relacionamento.   A coisa evolui, você vai conhecendo o outro melhor e ambos percebem que são diferentes – claro, todos temos nossa individualidade.  E é aí que começa a fase dos ajustes.  Um cede de cá, o outro cede de lá e ambos vão tentando alinhar sonhos, expectativas, alegrias e tristezas.

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Um pouco mais de tempo passa e a tendência é que apareça um ponto crítico.  Acontece com todo mundo.  Sempre tem aquele negócio que o outro faz e que te incomoda, mas faz parte dele e fica difícil pedir para parar.  É aceitar ou continuar.  Quando o amor é forte, a gente continua e prospera.  Relacionamentos vingam quando mais do que admirar e amar as qualidades do outro, a gente aprende a tolerar as diferenças.  Uma regra de ouro.

Porém, existe um porém.  Se fosse assim tão fácil, casais não estariam se separando com tanta facilidade.  As vezes o angú dá caroço porque os envolvidos esquecem que faz parte do conjunto da obra alguns acordos.   E estes precisam ser respeitados.  Se há quebra, precisam ser revistos.  E muitas vezes entra em jogo a paciência, o bom humor do dia, o período em que você está na sua vida… e aquele maldito acordo batendo na sua cabeça, sendo quebrado por uma das partes e  tendo que ser revisto diversas vezes, como um buraco sem fundo.

Amor, o que tem de mais publicar minhas selfies sem camisa?

Amor, o que tem de mais publicar minhas selfies sem camisa?

 

Ajustes são necessários e nem sempre estamos com paciência ou com mente aberta para entender.  Um dia estamos plena emoção e o outro está plena razão. Algumas vezes eles parecem injustos para um dos lados, parecem desnecessários até, geram desentendimentos e cansam.  Cansam muito.  Mas é aí que está a magia do amor.  Se a gente ama, no final conseguimos lidar com a questão.  Algumas vezes, preferimos até criar uma briga e encarar as consequências disso – vale a pena se o resultado final for a manutenção do que foi combinado.  Manter acordos também significa escolher, algumas vezes, entre o ruim e o pior ainda.

Estar junto é uma montanha russa de emoções, sentimentos e calores aflorados.  E como uma pessoa que ama, preciso alertar quem está começando que é melhor estar preparado.  É doce, é gostoso, mas não é mole não.  Filet Mignon só fica bom na chapa quente mesmo.  E isso serve para o amor  e para todo mundo que quer se relacionar.

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Quando a ficção é um desserviço para o amor

26 ago


Em minhas ingressões pelo universo da literatura, quando tinha cerca de 21 anos, descobri Nora Roberts.  Cheia de homens lindos, galantes, românticos, capazes de fazer tudo por suas mulheres, as histórias dessa autora me cativaram a ponto de em menos de um ano todos seus livros terem passado pelo meu crivo – ou ganharem um lugar na minha estante.   E assim foi até os dias de hoje.

Alguns relacionamentos semi-felizes depois, cheguei no meu atual com uma certa bagagem de experiência, porém proporcional a meu nível de expectativa.  Queria é casar com um desses heróis românticos, tão bem explorados por Nora e suas trilogias.   Foi preciso um taurino com uma dose de racionalidade exacerbada e um romantismo prático para me fazer chegar a conclusão de que esses homens perfeitos – para o bem ou para o mal – não existem.

Woman Reading a Diary

Sim, cara leitora.  Roarke, Nathan, Gray.  Todos eles são somente o que são, meras obras de ficção criadas para servir a um dos papéis mais baixos da ficção de folhetim  – fazer você esquecer da realidade por algumas horas, dando tudo aquilo que você almeja mas não necessariamente pode ter ou terá.  E isso não é o pior.  Cheguei a conclusão de que mais do que válvula de escape, Nora, Sparks e companhia são um verdadeiro desserviço a nós, mulheres.

Analise friamente todos os seus relacionamentos, inclusive o seu atual, se houver, e me diga: qual deles atendeu 100% esse ideal romântico que você leu nesses livros?   Preste atenção a proporção antes de responder.   Fazer eventuais gestos românticos não significa que o cara saltou diretamente das páginas dos livros para a realidade.  Se ele faz algumas coisas para te agradar, está no mínimo sendo coerente – seja seu objetivo te levar para a cama ou casar com você.

Os homens da vida real são homens da vida real e nada mais do que isso.  Lamento informar que eles não são magos, bruxos ou videntes para adivinhar o que você  deseja.   Isso quer dizer que se você não falar que seu sonho é fazer um passeio de barco no Sena, em Paris, enquanto brinda com Chandon, ele não vai chegar com as passagens magicamente só porque você idealizou isso. Reality hurts, lindinha.

Meninas que como eu se entregam a esses livros sem uma certa dose de discernimento , começam a idealizar e a sonhar com um príncipe que não existe.  E aí, quando de fato conhecem seu cavaleiro galante, perdem a oportunidade de serem felizes porque o outro não a cobriu de rosas vermelhas ou não conseguiu dar a quarta bombada na mesma noite – sem algemas.

Nora Roberts e suas similares aumentam nosso nível de exigência,  de uma forma que fica difícil voltar atrás antes que seja tarde e a solterice bata a porta.  Como nunca encontramos o herói galante, não podemos ser as mocinhas apaixonadas e, por isso, acabamos sabotando o relacionamento, dizendo que somos infelizes, ou fazendo dramas desnecessários que poderiam ser evitados com uma boa conversa sincera (daquelas que nunca acontecem na ficção).

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Meu conselho?  Dedique-se a livros de vampiros, bruxas, cavaleiros. Banque a estudiosa, a religiosa, a nerd, o que seu humor mandar. Mas esqueça a Nora.  Passe longe do Sparks.   Ou, se quiser entregar-se a esse tipo de literatura, tenha a certeza absoluta de que você está consciente da mentira.  Crie um mantra, escreva no marcador do seu livro:  esse cara não existe.   Nem nunca vai existir.   E seja feliz entregando-se aos amores efêmeros ou imperfeitos – porque é disso que a vida de verdade é feita.   E é isso o que faz dela emocionante e muito melhor do que qualquer conto de fadas.

 

Sobre meninos, lobos e derrotas

10 jul

Este não é um blog de futebol.  Muito menos um daqueles sites onde você vai encontrar posicionamento político,  nacionalidades ou unânimidades burras.  Porém, fica difícil ficar sem comentar sobre nosso jogo contra a Alemanha.  Ou, mais especificamente, sobre a forma com que lidamos com a derrota.

Tadinho do meu filho, tão injustiçado...

Tadinho do meu filho, tão injustiçado…

Desde pequenos, somos inseridos em um contexto social onde a perda não é algo aceitável.  Já na creche, vemos as mães competirem para mostrar suas crias, onde mais inteligente é aquele que falar “mamãe” primeiro ou realizar algum feito extraordinário antes do seu amiguinho.  Na escola, quando já temos alguma consciência moral, competimos com nossos colegas das mais variadas formas – quem subiu na árvore sem se machucar, a menina que tem a boneca mais bonita e por aí vai.   O importante é ser sempre o melhor, nunca estar abaixo do outro.

A coisa fica mais sintomática quando inserimos os hábitos culturais nessa salada.  Cada país tem a sua maneira de lidar com a derrota. No Brasil,  o time de futebol vem antes até da certidão de nascimento.  Orgulho do pai é aquele filho que joga bola e faz gol desde pequeno.   Meninas de ouro são aquelas que não fazem travessuras e aceitam a submissão.  A perda e os erros, porém, não existem porque nunca são culpa nossa, mas do outro.  Das condições climáticas.  Do governo.  Da promessa que não paguei para o Exu Caveira. Mimimi.

O resultado é que viramos adultos que não sabem perder e por isso buscam justificativas, não interessa se elas são plausíveis ou não.  Afinal, não era isso o que acontecia na nossa infância? O professor era ruim, o coleguinha era levado demais, a mãe do outro não dava educação,  o moleque do time adversário fez uma falta e o juiz ladrão não apitou, a namorada que me deu um fora era uma vagabunda.   Nunca fomos culpados, sempre fomos vítimas.  E continuamos sendo.

Exatamente como uma criança mimada faria, bares foram quebrados, turistas assaltados, monumentos vandalizados.  E no dia seguinte, várias justificativas – das mais técnicas as mais cretinas.  Teve site por aí perdendo tempo desenvolvendo toda uma teoria da conspiração, que só não envolvia alienígenas porque faltou dinheiro para Dilma pagar a nave espacial.

Não é dificil, assim disse SuperNanny. A lição que precisamos aprender é uma das mais básicas: saber lidar com as consequências, leia-se estar preparados para o pior e  assumir as nossas falhas.  Grandes nações são hoje quem são porque descobriram, através da derrota, que tinham força para se reerguer – estão entre elas a França, Inglaterra e… *pausa dramática*….  a Alemanha.

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Isso mesmo. A Alemanha.  Nossos tão temidos algozes aprenderam há muito tempo atrás sobre ego e suas consequências em um coisa  chamada Segunda Guerra Mundial.  Eles são lobos. Não esperava menos de um time de lobos.

E nós?  Será que aprendemos com a Copa 2014?  Vamos educar melhor nossos filhos (sem jogar toda a culpa na qualidade da educação)?  Vamos votar com consciência (sem alegar que todo o político não presta)? Vamos assumir nossos erros (sem apontar o dedo para o outro, que sempre é o filho da puta)?

Perdemos a batalha e perdemos feio. O que falta agora é abandonar o estigma e mudar a forma de agir com os outros e consigo mesmo.  Precisamos deixar de ser meninos.  Enquanto essa mudança não vem… Herzliche Gluckwunsche, Deutschland!

 

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